Situação Geográfica

Valdujo é uma antiga povoação e freguesia de Nossa Senhora da Consolação. A sede da freguesia é composta de três pequenas aldeias, não dispersas, assim denominadas: Quinta da Igreja, Quinta do Cabeço e Quinta do Curral. Anexa à freguesia, mas junto à estrada nacional, a Quinta das Moitas, também simplesmente designada por Moitas. Na quinta da Igreja está a matriz; as outras, Quinta do Cabeço e Quinta do Curral, ligeiramente situadas em altitudes superior, na prega do vale, encontram-se rodeadas de cumes, de que se destaca o alto da Teixogueira.
Pode-se dizer que é terra de sol a sol, que ilumina a Quinta da Igreja desde o seu nascer; até ao seu pôr, dá luz à Quinta do Cabeço e Quinta do Curral.
Em vista aérea, com a batizada rua principal a unir entre si as três “aldeias”, que são efetivamente uma só, pode ver-se um V desenhado; o mesmo acontece quando, à noite se segue na estrada nacional 102, na direção de Foz Côa ali pela Cruz da Galega, se vê distintamente o monograma em forma de um V iluminado por centenas de luzes.
Pode dizer-se que o povo começa e acaba no sítio dos Cordeiros, na bifurcação do campo da bola, como se aquela formasse um laço de união. Já na estrada nacional 102, o lugar das Moitas completa o aglomerado da freguesia.
Valdujo não é itinerário de passagem para qualquer outro lugar, porquanto a estrada de acesso forma um laço de entrada e retorno, através de ramal próprio, como se fosse vénia de um condomínio privado.
Valdujo limita o concelho de Trancoso com a Mêda (freguesias de Rabaçal e Carvalhal), ainda com fronteiras no termo de Trancoso através das freguesias de Cótimos, Cogula e Moreira de Rei.
Valdujo, tal como o concelho, está próximo da raia e afastado do litoral, numa região serrana vulgarmente identificada como Beira Alta.
Dista 12 km da sede do concelho e ocupa uma área de 16,40 km2.

Raízes da História

Valdujo é indubitavelmente um povoado muito antigo, cuja ocupação ocorreu antes da Nacionalidade.
Sem crer na versão fantasiosa e meramente etnográfica das formigas que fizeram debandar os habitantes da Quinta dos Cordeiros para lugar mais cimeiro, acredita-se que o próprio povoamento de Valdujo terá derivado dos antigos lugares habitados da Volta Larga e da Vila Sousa (Belachousa ou Vila Choisa na deturpação popular). Estas seriam “villas” pré-históricas, como é disso testemunho as sepulturas antropomórficas escavadas na rocha que lá se encontram, bem como os lagares e lagaretas, vestígios que aguardam estudo técnico e apurado.
Esta pequena necrópole da Vila Sousa carece, sem dúvida, de datação cronológica, se bem que, haja a presunção de ser pré-histórica ou mesmo paleocristã. Poderá ser lusitana e escavada em rocha à época do ferro e terá funcionado, como sepulcro ou mortório, até ao advento do cristianismo, aí pelo século II DC.
Da Vila Sousa ou da Volta Larga até aos três povos ou quintãs é uma distância que se calcorreia em meia hora, a passo de marcha. Daí não ser possível assegurar que os habitantes terão procurado outro local para erigirem as suas habitações, pois o termo “andar com a casa às costas”, sabendo que são do granito mais rijo que por aqui se encontra, não tem cabimento.
Do sítio dos Cordeiros, onde a tradição diz ter existido o primitivo Valdujo, atacado por regimento de formigas, que obrigaram os habitantes, numa primeira cautela, a colocarem as crianças penduradas em cestos, também não convence a não ser pelo sentido folclórico. Nem o daquela lenda da moura, filha bastarda do alcaide mouro de Moreira, desalmado pai que a desterrou no Monseco, de onde brota a Fonte da Moura, que sugere a existência de um primitivo povoado entre a Quinta do Cabeço e o Barreiro.
O termo “quintã” com que foram designados os três lugares da povoação é de origem romana (quintana), abrangendo uma ou várias casas e o seu domínio rural.
Com a invasão de um chefe árabe de nome Almansôr, califa de Córdova ou emir de Badajoz, chamado o Açoite de Deus, toda esta região ficou despovoada, pelo menos até à recuperação do território por Fernando Magno, de Leão. Entrou então na posse dos Bragançãos, chefiados por Mendo Alão de Bragança, entrando após nos bens da coroa através da herança de Fernão Mendes, um cunhado de D. Afonso Henriques.
Com a independência de Portugal e ainda no reinado do primeiro monarca português, Valdujo beneficiou do repovoamento comum às terras de Moreira e Trancoso, sofrendo com as guerras posteriores entre sarracenos e cristãos. 
Valdujo pertenceu ao extinto concelho de Moreira de Rei, também designada antigamente por Moreira ou Moreira a par de Trancoso.Isto quer dizer que, desde que Portugal é território independente, até hoje, Valdujo esteve com Moreira 700 anos e com Trancoso os restantes 170. O concelho de Moreira vem desde os primórdios da Nacionalidade (séc. XII) até à saída do decreto de 6 de Novembro de 1836, promulgado pelo governo setembrista de Passos Manuel de Rei foram extintos nessa penada mais 498 pequenos municípios, restando então 351. Foi então Moreira integrada, com as suas freguesias, no concelho de Trancoso.

Brazão

Escudo de ouro, três cabeças de ujo de negro, realçadas de prata e animadas do campo; em campanha, monte de dois cômoros de verde firmado nos flancos e movente de um pé ondado de prata e azul de três tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: Valdujo.

Referências:
Santos Costa – Valdujo: Três Povoados – Um Povo. Edição do Autor, 2011.