Esquentar o Forno
Para se saber se está em boas condições para a cozedura, basta olhar para as chamas “barbas do forno”, pois devem apresentar-se brancas. Depois de varrido, uma outra forma de se saber, é deitar-se para dentro um pouco de farinha: se fica preta, é sinal de que está quente de mais, necessitando arrefecer um pouco.
A Quaresma
Durante toda a Quaresma, período de recolhimento, visitava-se o Senhor do Esquife em todas a Sextas-feiras. A Quaresma é o tempo litúrgico que decorre de Quarta-feira de Cinzas até Sexta-Feira Santa.
Durante a Quaresma as imagens e os altares eram cobertos com tecidos roxos e os altares eram tapados com telas pintadas com motivos religiosos. Estas coberturas só eram retiradas no Sábado de Aleluia.
Durante a Semana Santa o repicar dos sinos era substituído pelo tocar das matracas, tocadas pelas ruas da aldeia, a anunciarem as cerimónias religiosas.
A procissão dos Passos, Quinta-feira Santa, é digna de se ver e ouvir. A Verónica é representada por uma rapariga ou mulher da terra. O nome Verónica deriva de “veros icona” (imagem verdadeira), pelo facto de uma mulher ter enxugado o rosto de Cristo a caminho do Calvário, e a imagem do rosto de Cristo ter ficado gravada milagrosamente no véu. Em Valdujo continua a ser cantado em latim.
A Encomendação das Almas
A Encomendação das Almas fazia-se, em tempo, através de um cerimonial rigoroso, plangente e triste, como competia à quadra. Tinha início no primeiro dia da Quaresma. Homens e mulheres separavam-se em dois grupos, dirigindo-se para um dos pontos mais latos da povoação, cantando ou “encomendando” as almas dos defuntos em orações.
Pinheiro Esgalhado
Quando se realizavam as festividades em honra de S. Sebastião, a 20 de Janeiro, era costume colocar-se, junto ao adro da igreja paroquial, um pinheiro. O intuito era proporcionar aos caçadores, depois da missa e de recolher a procissão, a disputa que visava partir, com uma chumbada, cada uma das pernadas do pinheiro, por ordem ascendente. O coruto era o último derrube.
Atualmente mantém-se, só que foi transferida para o dia da festa de Santo António.
O Cepo de Natal
Na noite de 24 de Dezembro, os rapazes solteiros faziam grande braseiro no adro da igreja, queimando naquele um enorme cepo e outra lenha que era antecipadamente roubada aos habitantes das três quintas. Este costume ainda prevalece, embora sem o roubo da lenha.
Referências:
Santos Costa – Valdujo: Três Povoados – Um Povo. Edição do Autor, 2011.
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