As alminhas são singelos e humildes monumentos religiosos, colocados dentre e fora das povoações, erguidos pelo povo para lembrar os seus mortos. São geralmente de pedra ou feita com cimento, quias minúsculas capelinhas encimadas por uma cruz, ao gosto do artista que as moldou. Dentro de cada uma, a iconografia do santo da devoção, pintado na pedra ou em azulejo, ainda a imagem em relevo dessa mesma devoção.
No sítio onde são colocadas, o povo designa como toponímia rústica e urbana o nome de Alminhas, pelo que, caso venham a ser demolidas ou transferidas, essa designação indica que ali esteve um destes monumentos. Em Valdujo temos prédios às Alminhas.
as alminhas imploram orações aos que por ela passam e dirigidas àqueles que faleceram e que se encontram entregues à “Justiça Divina”.
Imploram silenciosamente a oração que o povo verseja assim:
Ó vós que ides passando
Lembrai-vos de nós que estamos penando.
O culto dos mortos praticava-se na era Neolítica, com o costume de colocarem alimentos, armas e riqueza junto das sepulturas. Procedendo assim de rituais e crenças passadas, as alminhas são um atributo físico desse mesmo culto, como comunhão entre os vivos e os mortos.
O penar das almas nas labaredas do Purgatório provém das lições de Jesus Cristo. Roga-se pelas almas dos que estão para morrer, pretendendo-se que estas se elevem diretamente para junto da “mão direita de Deus Padre”.
No mês de Novembro, o “mês das Almas” ou “mês dos Fiéis Defuntos”, ressurgem floridas essas pequenas capelas, alumiadas com luzes de velas.
Como Alminhas existe um destes pequenos monumentos na Quinta da Igreja.
Mais disseminadas do que as Alminhas, os Cruzeiros encontram-se dentro e fora das povoações, distribuídos pelos montes e vales ou sobre os penhascos, representando Cristo Crucificados ou, na maioria dos casos, uma cruz mais ou menos trabalhada.
Ao contrário das Alminhas, os cruzeiros podem assumir o papel de marco ou “cruz de homem morto”, evocando a piedade pelas almas e o culto dos mortos e motivo de confiança para os vivos, uma vez que, segundo a crença popular, espantam o diabo, as bruxas e as feiticeiras. Por isso, é comum encontrar-se uma cruz de pedra junto a uma encruzilhada de caminhos, por se julgar que aí pululam as almas penadas e ser, segundo a crença, o sítio em que as feiticeiras se reúnem com o seu patrono Belzebú.
Alguns dos cruzeiros estão esculpidos de forma tosca, enquanto outros refletem o esmero do artista que os talhou, geralmente assentes sobre pedestais ou degraus.
Quanto aos Cruzeiros, há um na Quinta do Curral, à Sobreira (Senhor dos Aflitos); um outro, na Quinta da Igreja, à Cruzinha, com a escultura saliente da imagem de Cristo crucificado e ainda um junto a uma casa de habitação, ao Banco, com a cruz recentemente lavrada e colocada; um outro no cruzamento do Vale; um cruzeiro na Chã, em ferro, assente num fuste de granito, bem trabalhado, sinal de que teve uma cruz igualmente bem lavrada em pedra, entretanto desaparecida; um na Quinta do Cabeço, sito às Laijinhas, que esteve colocado nos barrocos e mudado para o atual sítio após a retificação do caminho.
Referências:
Santos Costa – Valdujo: Três Povoados – Um Povo. Edição do Autor, 2011.
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